Por que reciclar não basta para criar uma economia circular?
Sem categoria | Por em 4 de fevereiro de 2026
A ideia de economia circular ganhou espaço nos últimos anos, mas, na prática, a reciclagem segue tratada como objetivo final e, não como parte de um sistema mais amplo. Para quem opera a cadeia, o resultado é conhecido: iniciativas se multiplicam, mas não se conectam; campanhas geram atenção, mas não continuidade e ação; e projetos pontuais têm dificuldade para virar política pública ou rotina empresarial.
Pensando nessa problemática, a SO+MA, empresa pioneira em programas que incentivam o descarte correto e a formação de hábitos, anuncia agora uma nova fase e reposicionamento de sua atuação. A empresa passa a ser uma plataforma de tecnologia e metodologia para acelerar o que chama de “cultura da circularidade”, com foco em sustentar mudança de comportamento no tempo e transformar essa jornada em dados verificáveis.
“O Brasil fala bastante de reciclagem, mas circularidade é outra coisa. É sistema. Se você não muda comportamento e não cria transparência com dados e rastreabilidade, a iniciativa vira um esforço isolado. E o impacto não escala. Não é sobre ‘assumir o Brasil todo’, pelo contrário, é sobre somar e escalar com adaptabilidade para os diferentes contextos’, afirma Claudia Pires, CEO da SO+MA.
Na visão da executiva, há uma demanda crescente, tanto de empresas quanto de municípios, por mecanismos que provem quanto material foi recuperado, com que qualidade, por onde circulou e qual foi o impacto real. “Transparência e digitalização viraram exigências. E rastreabilidade, na prática, é saber de onde vem e para onde vai, com capacidade de dar resposta. ”, diz.
O reposicionamento também reflete uma evolução ao modo como o setor se estruturou. Claudia afirma que o mercado tem atores relevantes em frentes específicas, como equipamentos, capacitação, eventos, campanhas ou compra e venda de materiais, soluções muito boas mas que se adaptam pouco as diferentes realidades brasileiras ou as “dores” dos diferentes elos da cadeia.
“O problema existe em diferentes contextos, está no bairro, na fábrica, em territórios com interesses e limitações diferentes. Por isso, a gente trabalha com um modelo híbrido, de tecnologia com operação local, que consegue se encaixar em diferentes tamanhos e desafios”, explica.
Na prática, a SO+MA diz que passa a operar com um modelo em que a tecnologia vem acompanhada de implementação e método, o que chamam de “software com serviço”, numa lógica em que a plataforma não é oferecida como ferramenta isolada, mas como parte de uma solução, que depois de implantada com transferência metodologica, traz autonomia aos clientes e parceiros.
A empresa cita resultados acumulados ao longo de 11 anos para sustentar a nova fase: 7.116 toneladas de materiais reciclados desviadas de aterros, mais de 63 mil pessoas engajadas, atuação em oito cidades e cinco programas ativos, além de R$ 1,26 milhão destinados a cooperativas e R$ 2,8 milhões em economia aos participantes, segundo dados próprios.
“Impacto exige serviço especializado. Não é um aplicativo que você liga e pronto. A autonomia existe, mas ela não nasce pronta no momento zero. Para funcionar, precisa de implantação, suporte e consistência, porque é isso que garante adesão e qualidade do dado. Circularidade é além de recuperar material, mas construir cultura e infraestrutura de funcionamento”, finaliza Claudia Pires.


















































Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.