Brasil Brau encerra edição histórica e anuncia transição para mercado global de bebidas em 2028
Sem categoria | Por em 15 de junho de 2026

Evento reuniu mais de 8 mil visitantes em três dias e marcou o fechamento do ciclo voltado exclusivamente ao setor cervejeiro; nova identidade “Brasil Brau & Beverage” integrará toda a cadeia de bebidas em âmbito global
A 18ª edição da Brasil Brau encerrou suas atividades ontem, no São Paulo Expo, consolidando-se como o principal motor econômico e regulatório da cadeia cervejeira da América Latina, ao registrar forte movimentação de negócios e atrair um expressivo público de visitantes. Ao todo, foram mais de 180 marcas e cerca de 8 mil profissionais durante os três dias de evento, além de milhões de reais em negócios gerados.
O encontro deste ano entrou para a história como o marco de encerramento do formato tradicional voltado exclusivamente ao setor cervejeiro. Para acompanhar a rápida evolução do mercado e a consolidação do consumidor híbrido, a promotora GL events Exhibitions confirmou oficialmente a transição estratégica do evento, que passará a se chamar Brasil Brau & Beverage a partir de sua próxima edição, em 2028, abraçando formalmente toda a cadeia produtiva de bebidas.
“Pudemos acompanhar nesta edição a confirmação de uma tendência que já vinha se consolidando nos últimos anos: as fronteiras entre as diferentes categorias de bebidas estão cada vez mais tênues. Compartilhamos desafios, tecnologias, canais de distribuição e, principalmente, um consumidor que transita entre múltiplas opções de consumo. A transição para um novo formato, daqui dois anos, mas que começa agora, reflete essa nova realidade, ao mesmo tempo em que reforça nossa estratégia de posicionar o evento como a principal plataforma de negócios, conteúdo e inovação para toda a cadeia de bebidas”, afirma Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL events.
Alinhamento
institucional e visão de cadeia
A mudança de
posicionamento reflete o amadurecimento e a força macroeconômica do setor. Pela
primeira vez, a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) assumiu
diretamente a curadoria do comitê científico do Congresso Brasileiro de Ciência
e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC). Com 400 inscritos, os painéis oxigenaram a
grade com debates focados em inteligência de mercado, construção de marcas e
canais de distribuição.
“A Brasil Brau é a feira profissional mais importante do nosso setor e mostrou sua força qualitativa, com estandes de insumos permanentemente lotados. A cerveja gera negócios, arrecadação e empregos, e este evento prova que precisamos olhar para o setor como uma cadeia produtiva que se destaca na economia do país”, avaliou Gilberto Tarantino, presidente executivo da Abracerva, que considerou o congresso um sucesso irretocável de público.
Tecnologia e
eficiência ditam a virada do mercado
Essa transição para o
conceito abrangente de Beverage atende a uma exigência operacional que hoje une
toda a indústria de bebidas: a busca por flexibilidade fabril, redução de
custos e máxima eficiência. Vanderlei Bauer, proprietário e fundador da
StarkBauen, ressaltou no pavilhão que o perfil dos investimentos mudou
drasticamente, exigindo estruturas mais ágeis. “O mercado mudou bastante,
ninguém mais quer gastar cifras astronômicas para abrir uma estrutura
engessada. O caminho hoje passa por produzir variedades em volumes menores e
com forte diferenciação competitiva”, explicou Bauer, que levou para a
feira uma nova envasadora linear de latas focada em flexibilizar a operação de
marcas regionais.
A busca por tecnologia que reduza custos com utilidades e perdas no processo foi a principal tônica dos grandes expositores de engenharia. Paulo Schiaveto, diretor de engenharia e operações da NKA Schiaveto, apontou que o atual cenário econômico exige profissionalismo extremo dentro das fábricas. “Para se manter competitivo hoje, o produtor precisa olhar para o rendimento da matéria-prima e para a sustentabilidade. Desenvolvemos soluções de automação focadas na redução drástica do consumo de água e vapor, porque entregar uma tecnologia que baixa o custo por litro mantendo a qualidade é a única garantia de sobrevivência a longo prazo em um mercado concorrido”, defendeu Schiaveto.
Otimismo comercial e
a experiência na ponta final
O reflexo direto
dessa busca por modernização foi o balanço positivo nas transações comerciais
no chão de feira. Para Patrick Banwart, gerente da divisão de bebidas da
Globalfood, a edição superou as expectativas ao registrar uma retomada
expressiva nas intenções de compra. “Sentimos uma virada muito forte na
intenção de investimentos. O estande esteve lotado todos os dias e geramos
muitos projetos que vão se desdobrar nos próximos meses”, celebrou o
executivo, destacando o interesse do público qualificado em novas linhas de
enzimas e leveduras.
A Memo também colheu resultados imediatos focados em tecnologia aplicada ao ponto de venda e ambiente residencial. “Viemos com o objetivo de apresentar novos lançamentos, como torres automatizadas por aplicativo. Conseguimos cumprir as metas, tivemos grandes vendas na feira e abrimos muitas contas novas”, destacou Lucas Cavalin, diretor comercial da marca.
Toda essa sofisticação técnica das fábricas e distribuidoras encontra o seu gargalo no momento do serviço. “Não basta apenas o líquido ser excelente; o ritual de serviço precisa ser perfeito, e o copo adequado faz parte dessa estratégia de branding. O grande desafio do varejo hoje é equilibrar essa necessidade de elegância com produtos de alta durabilidade, que aguentem o giro pesado dos estabelecimentos sem comprometer o fluxo de caixa com quebras”, explica Luciano Dutra, diretor comercial e de marketing da Ruvolo.
Da identidade local
às conexões globais
As discussões
técnicas e científicas do CBCTEC deram o fechamento de contexto ao ecossistema.
A abertura da grade de palestras foi marcada pelo painel “Cervejas
brasileiras em evidência: inovação, origem e impacto cultural”, onde a
antropóloga Aline Smaniotto (Beberú) destrinchou o conceito de brasilidade, e
Júlia da Motta, Subsecretária de Competitividade e Desenvolvimento Econômico do
Estado de São Paulo, apresentou o impacto financeiro do segmento no PIB
paulista. Complementando a visão prática, Rafael Leal (Caatinga Rocks) e Agenor
Maccari (277 Craft Beer) demonstraram como a utilização de ingredientes nativos
e madeiras brasileiras agregam valor comercial no mercado global.
O palco do congresso também ganhou contornos internacionais. A sul-africana Apiwe Nxusani-Mawela, mestre cervejeira e fundadora da Tolokazi, evidenciou que a expansão sustentável das marcas depende da habilidade da indústria de abraçar a pluralidade e tendências globais de consumo. No campo estritamente técnico, o venezuelano Roberto Biurrun, da Fermentis, apresentou o projeto global “Superior yeast”, focado em avanços de pureza e repetibilidade de leveduras secas ativas em escala comercial. Encerrando a grade científica, o pesquisador belga Tin Kocijan detalhou a palestra “Microbiologia da cerveja e envelhecimento em barril”, demonstrando como a ordem de inoculação de microrganismos específicos, como Acetobacter e Brettanomyces, dita a química e o perfil de sabor de cervejas ácidas (sour beers), garantindo uma maturação previsível e consistente para produtos complexos de guarda.
Tendências que unem
ciência, tradição e hospitalidade
A busca por
experiências mais sofisticadas e pela valorização da cultura cervejeira também
foi um dos principais destaques do CBCTRENDS, espaço dedicado à apresentação de
tendências, conceitos e oportunidades de negócio dentro do setor. Ao longo dos
três dias, especialistas do Senac abordaram temas que combinaram conhecimento
técnico, experiência sensorial no consumo hospitalidade, reforçando o movimento
do mercado de ampliar sua proposta de valor para além da bebida.
A programação incluiu discussões sobre os fundamentos científicos das harmonizações entre cervejas e alimentos, uma imersão no universo das Lambics – tradicionais cervejas belgas de fermentação espontânea – e reflexões sobre como hospitalidade, turismo e storytelling podem transformar o ato do consumo numa experiência capaz de fortalecer as marcas e ampliar o engajamento dos consumidores. Conduziram as palestras, respectivamente, o especialista Carlos Henrique Braghin, e os sommeliers Fábio de Faria e Souza Campos e Fernando Marcos de Oliveira.
Votação popular
consagra os destaques da edição
O encerramento da
Brasil Brau 2026 também revelou as marcas vencedoras das prêmiações do evento,
escolhidas por votação dos visitantes através do aplicativo oficial. Na
categoria Inovação, a vencedora foi a Prozyn. A companhia trouxe como novidade
para o evento uma cerveja zero carb e sem glúten feita com as soluções
enzimáticas próprias AttenuMax Zero, ClearMar Pro, MatuFest e NatuFoam. Julia
Browne, gerente de marketing, celebrou a conquista: “Estamos com a Brasil
Brau desde o início. Ampliamos a metragem esse ano para as pessoas ficarem mais
confortáveis, com a ideia de acomodar todos bem”.
Já a categoria Sustentabilidade foi para a Globalfood. Antes da apuração, Patrick Banwart já detalhava como as soluções da empresa se alinhavam perfeitamente à categoria: “temos produtos que atuam na redução de consumo de energia para as cervejarias. Isso também acarreta uma redução da questão logística, que se traduz em menores estoques, transporte e espaço de armazenamento, já que há produtos mais concentrados. Todos esses fatores colaboram significativamente para o menor consumo de combustíveis.”
Por fim, a categoria Destaque, última e mais importante do evento, foi conquistada pela Memo, que se destacou no pavilhão ao apresentar diversos produtos inovadores. O protagonismo ficou por conta da nova chopeira Hug, que descongela entre 5 e 7 minutos. “O foco nesse ano foi não só levar novidades, mas coisas boas. Tenho muita confiança no que conseguimos realizar com a Hug, que resolve diversos problemas em um único produto”, afirma Victória Cavalin, estrategista de mídias sociais da marca. “Aqui no stand tivemos a nossa chopeira congelada de ponta-cabeça, o que foi um tremendo sucesso. A cada momento que olhávamos, víamos nosso stand 100% cheio”, completa.
Sobre a Brasil Brau
A Brasil Brau é o
maior evento profissional da indústria cervejeira da América Latina e, desde a
década de 1980, se consolidou como principal ponto de encontro da cadeia
produtiva do setor. Realizada a cada dois anos, reúne tecnologia, inovação,
equipamentos, insumos, serviços, conteúdo técnico, networking e geração de
negócios, conectando fornecedores, fabricantes, distribuidores, compradores,
mestres-cervejeiros, consultores e empreendedores.
Em 2026, o evento foi realizado entre os dias 9 a 11 de junho, no São Paulo Expo, em São Paulo, com 5.000 m² de área comercializável, 160 marcas presentes e representantes de 14 países. Na última edição, em 2024, a Brasil Brau movimentou R$ 470 milhões em negócios durante sua realização e nos meses seguintes. Além da feira de negócios, o evento conta com o CBCTEC – Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira, e com os espaços de conteúdo CBCTRENDS e CBCTALKS.






















































Tatiana Gomes, jornalista formada, atualmente presta assessoria de imprensa para a Editora Banas. Foi repórter e redatora do Jornal A Tribuna Paulista e editora web dos portais das Universidades Anhembi Morumbi e Instituto Santanense.
Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), cursando MBA em Informações Econômico-financeiras de Capitais para Jornalistas (BM&F Bovespa – FIA). Com sete anos de experiência, atualmente é editora-chefe da Revista P&S. Já atuou como repórter nos jornais Todo Dia, Tribuna Liberal e Página Popular e como editora em veículo especializado nas áreas de energia, eletricidade e iluminação.